O avanço do projeto Sucuriú, da chilena Arauco, marca um novo momento para a logística ferroviária e portuária brasileira. A empresa, segunda maior fabricante mundial de celulose, está estruturando uma operação de transporte que ligará sua nova unidade em Inocência, no Mato Grosso do Sul, ao Porto de Santos, atravessando mais de 1000 km de território.
O investimento total nas frentes industriais e de escoamento soma obras simultâneas de terraplenagem, ramal ferroviário, terminais portuários e aquisição de material rodante especializado para cargas de celulose.
Integração modal como prioridade operacional
A Arauco já definiu que o transporte ferroviário será o eixo central da operação, com trens de até 100 vagões destinados exclusivamente à celulose de fibra curta de eucalipto. O trajeto, que partirá do pátio de expedição da fábrica, inclui um ramal ferroviário de 47 km até a malha da Rumo, operadora que conecta Mato Grosso do Sul a Santos.
Além da ferrovia, estão em estudo combinações com transporte hidroviário na Hidrovia Paraná-Tietê, reduzindo a emissão de gases e diminuindo o tráfego rodoviário. Esse planejamento considera a movimentação diária de milhares de toneladas, mantendo prazos rigorosos para atender a mercados na Ásia, Europa e América do Norte.
Porto de Santos como elo estratégico para exportação
Em Santos, a Arauco avalia instalar um terminal próprio para receber e embarcar celulose em navios do tipo break bulk, que acomodam entre 50 mil e 80 mil toneladas por viagem. A infraestrutura portuária será determinante para sustentar a meta de exportar até 98% da produção da nova unidade.
A operação envolverá sistemas de descarga automatizada, áreas de armazenagem e conexão direta com a malha ferroviária, minimizando gargalos e garantindo a fluidez da cadeia logística.
[h2] Movimento regional e geração de empregos
O município de Inocência e cidades vizinhas já sentem o efeito das contratações e treinamentos promovidos pela Arauco, com apoio do Senai. A movimentação de profissionais deverá atingir picos de mais de 14 mil trabalhadores durante as obras, reduzindo para cerca de 6 mil na operação regular.
A base florestal, formada por 400 mil hectares de eucaliptos distribuídos em dez municípios, está alinhada ao abastecimento constante da fábrica, com colheita mecanizada e distância média de 110 km entre as áreas de corte e a planta industrial.
Cooperação com o setor ferroviário
A autorização da ANTT – Agência Nacional de Transportes Terrestres para que a Arauco atue como Agente Transportador Ferroviário abre espaço para parcerias com empresas como Rumo, MRS Logística e VLI, ampliando as possibilidades de gestão integrada.
A aquisição de locomotivas e vagões é uma das maiores já registradas no segmento de celulose no Brasil, reforçando a aposta no transporte sobre trilhos como solução de eficiência e redução de custos operacionais.
Perspectivas para o setor de infraestrutura
O projeto da Arauco reposiciona Mato Grosso do Sul como polo industrial de celulose e impulsiona novos debates sobre investimentos em infraestrutura multimodal no país. A combinação entre capacidade produtiva, planejamento logístico e acesso a portos de alto desempenho é um indicativo de que a competitividade do Brasil no setor florestal-industrial pode avançar com projetos de escala similar.
Com previsão de início das operações em 2027, o Sucuriú poderá elevar a produção nacional a patamares inéditos e consolidar a presença brasileira entre os maiores exportadores mundiais.
Informações contidas na reportagem do Estadão.
FAQ – Entendendo o projeto logístico da Arauco
1. Onde será construída a nova fábrica de celulose da Arauco? A unidade ficará no município de Inocência, Mato Grosso do Sul, a cerca de 50 km da área urbana e próxima ao rio Sucuriú.
2. Qual será a principal rota para o escoamento da produção? A principal rota será ferroviária, conectando a fábrica à malha da Rumo e seguindo até o Porto de Santos, com possibilidade de uso da Hidrovia Paraná-Tietê.
3. Quando a operação deverá começar? A previsão de início é no último trimestre de 2027, com a produção plena estimada para 2028.
